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O que podemos aprender com o Japão quando se trata de prevenção de desastres?

O Japão leva tão a sério os eventos climáticos e preparação para emergência que sua legislação e sua governança em desastres começaram a ser estruturadas ainda no século XIX, muito antes de o tema entrar no radar da maioria dos países. Décadas de investimento contínuo em prevenção resultaram em um sistema que combina grandes obras de infraestrutura, tecnologia, planejamento urbano e educação cidadã.

Enquanto o Brasil ainda concentra a maior parte dos recursos na resposta às emergências e na reconstrução pós-evento, o Japão atua na outra ponta: fortalece a capacidade de drenagem das cidades, cria canais e reservatórios subterrâneos para reter água em períodos de cheia, constrói estruturas de contenção de detritos, redesenha cursos de rios para evitar enchentes em áreas densamente povoadas, treina sistematicamente sua população. A lógica é simples e exige visão de longo prazo. Desastres não são apenas “naturais”, são também resultado de escolhas: de onde se permite construir, de quanto se investe em infraestrutura verde, de como se cuida de encostas, margens de rios e sistemas de drenagem, e de quais políticas públicas se consolidam como prioridade de Estado.

A cooperação Brasil–Japão mostra que já existe caminho aberto para trazer esse conhecimento para cá, com apoio técnico da JICA (Japan International Cooperation Agency) no desenvolvimento de projetos. Aproveitar essa oportunidade exige assumir, de forma clara, que ‘prevenção’ é investimento estratégico, não custo acessório. Passa por revisar planos diretores, evitar ocupação de áreas de risco, ampliar cobertura verde, cuidar das matas ciliares, treinar e educar a população para uma cultura de segurança e resiliência.

A pergunta central não é se vamos enfrentar eventos extremos, mas o quanto queremos reduzir seus impactos.
O Brasil precisa investir mais em prevenção de desastres climáticos, com foco em políticas públicas e soluções técnicas resilientes, e menos em pagar as contas altas de reconstrução e perdas de vida.

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