A desinformação desponta como um dos grandes riscos globais atuais, segundo o mais recente Relatório Global de Riscos do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum https://www.weforum.org/publications/global-risks-report-2025/), impactando diretamente a efetividade da governança internacional e dos compromissos ESG. O fenômeno do Greenwashing, em especial, preocupa cada vez mais gestores, investidores e reguladores — e promete ser um dos temas centrais na COP30, onde práticas ESG superficiais serão fortemente questionadas, com forte pressão por transparência, rastreabilidade e compromisso genuíno de empresas e governos.
Governança ESG: transparência em xeque
No Brasil, a criação do CBPS (Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade) pelo CFC (Conselho Federal de Contabilidade) marca um importante avanço na agenda de transparência. Em colaboração com a CVM, o CBPS está focado em aperfeiçoar a aplicação das normas nacionais de sustentabilidade, combatendo o Greenwashing e garantindo a interoperabilidade com outros padrões globais, como as normas ISSB e os critérios da União Europeia.
O desafio da desinformação e do engajamento real
A manipulação de dados ESG, seja por meio de relatórios imprecisos ou de iniciativas cosméticas, foi alvo de diversos alertas em fóruns internacionais recentes. Pesquisas indicam que o aumento de regulamentação é só parte da solução: padrões auditáveis e engajamento contínuo das lideranças são cruciais para assegurar que as ações ESG superem a superficialidade e entreguem valor real aos diversos públicos.
Ponto de atenção: Inteligência artificial no combate à desinformação ESG
Um tema novo e relevante é o uso crescente de inteligência artificial e data analytics na detecção de inconsistências em relatórios de sustentabilidade e na análise automatizada de compromissos ESG. Ferramentas avançadas já estão sendo adotadas por investidores e reguladores para identificar possíveis Greenwashing em escala global, desmascarando fraudes antes difíceis de mapear.
Greenwashing: riscos e consequências
As consequências do Greenwashing vão muito além da perda de reputação. Empresas que recorrem a essa prática podem sofrer sanções regulatórias, processos judiciais por publicidade enganosa, exclusão de índices de sustentabilidade, além de boicotes de consumidores e investidores cada vez mais atentos a informações verificáveis. Em mercados internacionalmente integrados, Greenwashing também compromete relações comerciais e acesso a capitais – fundos ESG, por exemplo, estão cada vez mais rigorosos em suas auditorias e critérios de exclusão.
Credibilidade e confiança sob ameaça
Quando uma organização é associada ao Greenwashing, compromete não apenas sua própria imagem, mas também prejudica a confiança do mercado nas agendas ESG como um todo. Esse efeito dominó desacelera avanços genuínos e reforça o ceticismo das partes interessadas frente a compromissos ambientais e sociais. Portanto, transparência, rastreabilidade e responsabilidade são fundamentais para que práticas ESG tragam impactos reais e positivos.
O que é Greenwashing
Esse termo não é novo, ao contrário do que muita gente pensa. Surgiu nos anos 1980 e refere-se à estratégia de promover ações, produtos ou políticas como sendo mais sustentáveis ou ambientalmente responsáveis do que realmente são. Historicamente, a expressão ganhou popularidade quando empresas passaram a adotar slogans e embalagens “verdes” sem mudanças efetivas em seus processos, enganando consumidores quanto ao real impacto ambiental das suas atividades.
Transparência é mais que um discurso institucional — é uma prática de governança que exige eficácia, tecnologia e postura ética. Esperamos que a COP30 a ser realizada no Brasil, traga mais força e ao mesmo tempo soluções para as demandas de rastreabilidade e verificação vindas do mercado e da sociedade.
